quinta-feira, 7 de maio de 2009

Lamarca um link para Revolução

http://brotasdemacaubas.wordpress.com/2008/02/18/carlos-lamarca/
18 Fevereiro 2008
Lamarca e Zequinha – A ditadura no sertão
Posted by Sandra under Personagens Históricos | Tags: história, lamarca |


Carlos Lamarca nasceu no Rio de Janeiro em 27 de Outubro de 1937. Em 1954, aos 17 anos, é admitido na Escola Preparatória de Cadetes, em Porto Alegre. Em 1959, casa-se às escondidas com Maria Pavan, que estava grávida. Em 5 de Maio de 1960 nasce César Lamarca, 2 anos depois, a segunda filha, Cláudia. Teria seguido a carreira militar, como tantos colegas seus o fizeram, não fosse o fato de ele não aceitar a maneira como os militares usavam o exército para reprimir o povo, quando este gritava por seus direitos. Após alguns atos de insubordinação “leve”, ele radicalizou e em 24/01/1969 fugiu do quartel de Quitaúna levando numa kombi, 63 fuzís FAL, 3 metralhadoras e munição. Este fato marcou seu rompimento com o exército e sua entrada para a clandestinidade. Conheceu os principais militantes revolucionários, e leu clássicos comunistas, como Marx, Tolstoi e Trotski.
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José Campos Barreto (Zequinha) era o mais velho dos 7 filhos do casal José Araújo Barreto e Adelaide Campos Barreto (Dona Nair), responsável pela construção da igreja do Burití Cristalino (município de Brotas). Zequinha estudou no Seminário de Garanhuns, Pernambuco, e todos os anos, no mês de dezembro, vinha visitar a família. Numa dessas visitas (1963) não voltou mais para o seminário: ficou um ano trabalhando na roça e depois foi para São Paulo.
Em 1965 serviu o exército, no Quartel de Quitaúna. Fez amizade com vários líderes operários, participou de greves e manifestações. Numa greve, dia 17 de julho de 1968, com as tropas da Polícia Militar ameaçando invadir a Cobrasma (empresa onde Zequinha trabalhava), ele correu ao depósito de gasolina e ameaçou explodir a fábrica. Na confusão, muitos operários e grevistas conseguiram fugir. Zequinha ficou preso 98 dias.
Foi solto, e retornou ao Buriti levando os jornais. Olderico fica sabendo do acontecido, viajam os dois para São Paulo, onde Zequinha milita na VPR (Vanguarda Popular Revolucionária). Daí mudam para Salvador, onde Olderico trabalha como motorista, e retornam ao Buriti. Com a morte de Dona Nair, eles se separam, indo Olderico para São Paulo e Zequinha para o Rio, onde milita na VAR- Palmares (dissidência da VPR). Decide mudar do Rio para Salvador e convence Olderico a acompanhá-lo. Lá aproxima-se do MR-8.
Com o endurecimento da repressão era necessário a transferência e deslocamento de alguns “quadros” para um local mais seguro. Como Zequinha já era de confiança dentro do MR-8, sugeriu-se a transferência de Lamarca do Rio para o sertão, o Buriti Cristalino era o local perfeito.
29 de junho de 1971 - Lamarca chega ao Buriti, juntamente com Santa Bárbara (um militante de Feira de Santana). Ficou escondido lá por dois meses, até que em 26 de agosto os militares da repressão, chefiados pelo então major Nilton Cerqueira e auxiliados pelas autoridades de Brotas, invadem o Buriti promovendo o horror e a violência contra a família de Zequinha. Otoniel é morto, Santa Bárbara suicida-se, seu José é barbaramente torturado, Olderico tem o dedo estraçalhado e o rosto atigido por uma bala, enquanto Zequinha e Lamarca fogem embrenhando-se na caatinga, conseguindo despistar seus perseguidores. Os militares então, suspendem as buscas, e retornam a seus postos.
Recebendo informações de moradores das redondezas, os militares voltam a região e retomam as buscas. Os dois são descobertos em Pintada (localidade de Brotas) e assassinados pela repressão, a 17 de setembro. Seus corpos foram levados à Brotas e expostos como troféu, fato que aterrorizou a população da cidade.
Fonte:
Lamarca, o capitão da guerrilha
Global Editora
Oldack Miranda e Emiliano José

Uma resposta to “Lamarca e Zequinha – A ditadura no sertão”
1. Sandra Disse:
18 Fevereiro 2008 at 4:23 pm
O texto abaixo foi-me enviado por Oldack Miranda. É o texto do release distribuido pelos organizadores da celebração em homenagem a Lamarca e Zequinha (2001).
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VIDAS PELA VIDA!
30 ANOS DA MORTE DE LAMARCA
CELEBRAÇÃO DOS MÁRTIRES DA DIOCESE DE BARRA
“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos que ama”.
Jesus de Nazaré, Jo. 15,13
“As pessoas e coisas têm de ser lembradas sempre: sob pena de MAIS um pouco de morte”.
João Guimarães Rosa, ‘A Caça à Lua’
Ave, Palavra!
“Nossas mortes não são nossas. São de vocês. Elas terão o sentido que vocês lhes derem”.
Bárbara Souneborn, no filme ‘Lamentamos Informar’
Neste ano de 2001 se completam 30 anos da morte de Carlos Lamarca. Corria o mês de setembro de 1971 quando o Capitão Lamarca tombou morto pelas tropas policiais. O país estava dominado por uma sangrenta ditadura militar, que prendia, seqüestrava, torturava e matava seus opositores. Com o golpe militar de 1964, o Presidente João Goulart foi deposto. A partir de então, organizações como sindicatos, partidos políticos e entidades estudantis foram fechados e jogados na clandestinidade. Parlamentares foram cassados e expulsos do país, bem como professores, religiosos, lideranças populares, cientistas e artistas. Qualquer manifestação era duramente reprimida e se fecharam todos os canais de diálogo.
Nesse contexto, muitos brasileiros e brasileiras comprometidos com a construção de um país justo e democrático, optaram pelo enfrentamento armado aos militares - mesmo que isso custasse a sua própria vida. O Capitão Carlos Lamarca, militar exemplar que se aliou aos grupos clandestinos que combatiam a ditadura, é um desses grandes heróis nacionais que a historiografia oficial ainda não reconhece. Mas, tão importantes quanto Lamarca, temos muitos outros lutadores e lutadoras que derramaram seu sangue para que hoje pudéssemos ter um mínimo de democracia no Brasil. Que foram assassinados na área da Diocese de Barra temos Zequinha e Otoniel Barreto, Luiz Antônio Santa Bárbara, Manoel Dias e o Jota.
“A causa é que faz o mártir”, escreveu Santo Agostinho. Sem dúvida alguma quem foi morto defendendo a causa da justiça, da democracia e da reforma agrária é um MÁRTIR. Mesmo que sua militância não seja dentro de uma igreja ou religião. Queremos celebrar a vida e a morte de nossos mártires, como um reconhecimento de seu exemplo e como compromisso com a causa pela qual derramaram o seu sangue.
Para isso, a Diocese de Barra está promovendo a celebração e o seminário “Vidas pela VIDA!”. A celebração ecumênica acontecerá na comunidade de Pintada (município de Ipupiara), local onde ocorreu o assassinato de Lamarca e Zequinha. Reunirá paróquias, movimentos sociais, entidades populares, lideranças políticas e religiosas, familiares e testemunhas dos nossos mártires. O Seminário acontecerá em Brotas de Macaúbas, no auditório da CASEF (Cooperativa Agromineral Sem Fronteiras) e contará com a participação de João Pedro Stédile (MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e de César Benjamin (companheiro de militância de Lamarca e hoje um dos coordenadores da Consulta Popular). Na ocasião também será feito o relançamento do livro “Lamarca, Capitão da Guerrilha” de Emiliano José e Oldack Miranda.
PROGRAMAÇÃO
Dia 29/09 (sábado)
09:00 - Celebração ecumênica em Pintadas
15:00 - Palestra e debate no auditório da CASEF em Brotas
João Pedro Stédile (MST) e César Benjamin (Consulta Popular)
Re-lançamento do livro “Lamarca, Capitão da Guerrilha”
Oldack Miranda e Emiliano José
Dia 30/09 (domingo)
07:00 - Ida até a comunidade de Buriti Cristalino
HISTÓRIAS DE VIDA
LAMARCA
Carlos Lamarca - 27/10/1937 - 17/09/1971
“Ousar lutar, ousar vencer.”
Carlos Lamarca nasceu no Rio de Janeiro, o terceiro dos seis filhos de uma família modesta. Desde a infância demonstrou espírito de liderança, persistência e gosto pelos estudos. Aos 17 anos ingressou na carreira militar, obtendo a patente de Capitão em 1967.
Foi oficial exemplar, tendo servido à ONU (Organização das Nações Unidas) no Oriente Médio durante a ocupação do Canal de Suez. Nesse período interessava-se cada vez mais pela ação política, como forma de acabar com a fome e construir uma sociedade justa e igualitária. Casou aos 23 anos com Maria Pavan e teve dois filhos, César e Cláudia.
“Eu vim servir ao Exército pensando que o Exército estava servindo ao povo, mas quando o povo grita por seus direitos é reprimido.” Esse foi o desabafo de Lamarca a sua esposa em 1966, dois anos depois do golpe militar que mergulhou o Brasil numa ditadura assassina.
Em 1969, Lamarca abandona o Exército e se junta aos grupos que lutavam contra a ditadura militar e pela implantação de um regime político socialista no Brasil. Em 1971 vai para o sertão da Bahia, no município de Brotas de Macaúbas, para lá preparar uma base para a luta na zona rural.
No mesmo ano um dos companheiros de Lamarca é preso em Salvador e é torturado até informar o seu paradeiro. Uma grande ação militar é montada e, depois de 20 dias espalhando terror e ameaças na região, a repressão militar encontra Lamarca e Zequinha. Os dois são executados próximo da comunidade de Pintada, município de Ipupiara, enquanto descansam na sombra de uma baraúna. Após uma jornada a pé de quase 300 km, os dois se encontravam absolutamente exaustos e desnutridos. Lamarca tinha 34 anos quando foi morto.
ZEQUINHA
José Campos Barreto - 17/09/1971
“Abaixo a ditadura!”
Zequinha nasceu no povoado de Buriti Cristalino, município de Brotas de Macaúbas, filho de José Barreto e Adelaide Campos Barreto. O mais velho de sete irmãos de uma família simples e muito religiosa, Zequinha segue ainda menino para estudar no Seminário de Garanhuns, em Pernambuco. Depois de quatro anos de Seminário, retornou para o Buriti Cristalino onde trabalhou na roça e foi animador da comunidade. Em 1964 segue para São Paulo, serve ao Exército, participa de entidades estudantis e do sindicato dos metalúrgicos, tomando a frente de manifestações e paralisações. Já tendo uma firme consciência política, Zequinha passa a militar nas organizações clandestinas de combate à ditadura militar.
Retorna a São Paulo com o irmão Olderico, de onde seguem depois para Salvador. Zequinha ainda mora um tempo no Rio de Janeiro e depois retorna com Olderico para a Bahia, já com a intenção de fortalecer um foco de luta guerrilheira no sertão. Em 1971, já no Buriti Cristalino, recebem Luiz Antônio Santa Bárbara e o Capitão Carlos Lamarca.
“Abaixo a ditadura!” Segundo relatório do Exército, estas foram as últimas palavras de Zequinha, quando foi baleado junto com Lamarca, em setembro de 1971.
OTONIEL
Otoniel Campos Barreto - 28/08/1971
Otoniel, irmão de Zequinha, foi executado quando já estava sob a guarda dos agents policiais no sangrento assalto ao Buriti Cristalino. Otoniel, sob o impacto dos gritos do pai de 65 anos que estava sendo torturado, alcança uma arma e tenta empreender uma desesperada fuga. Foi alvejado e tombou morto.
SANTA BÁRBARA
Luiz Antônio Santa Bárbara - 28/08/1971
Luiz Antônio nasceu em uma família pobre, filho de Deraldino Santa Bárbara e de Maria Ferreira Santa Bárbara. Foi presidente do Grêmio Estudantil do Colégio Municipal de Feira de Santana e já possuía certa consciência política mesmo antes do golpe militar de 1964. Chegou a ser preso durante a repressão provocada pelo AI-5 (Ato Institucional n° 5). Foi morar no Buriti Cristalino em 1971. Lá, foi hóspede da família Barreto, trabalhou na roça e também como professor, alfabetizando de crianças a velhos. Santa Bárbara era um bom jogador de futebol e, junto com os irmãos Barreto, fazia também um trabalho de formação política com a população local . Organizaram uma peça teatral sobre a cobrança de impostos e debatiam temas como a propriedade da terra , a fome e a migração para São Paulo. Santa Bárbara morreu no Buriti Cristalino, na mesma ocasião que Otoniel. Há duas versões sobre a morte de Santa Bárbara: uma de que morreu durante tiroteio e outra de suicídio. O laudo necroscópico revela que ele foi assassinado e não cometeu suicídio. Santa Bárbara tinha 24 anos quando tombou morto pela repressão.
MANOEL DIAS
Manoel Dias de Santana - 08/09/1982
“Onde nós derrama o suor, nós derrama o sangue!”
Manoel Dias, lavrador honrado e reconhecido como homem de muita fé e sabedoria. Junto com mais 19 lavradores, Manoel tomou posse de 5.000 hectares de terras devolutas para plantarem e sustentarem suas famílias. Isso foi no ano de 1965 na localidade de Boa Vista do Procópio, município de Barra. Ali viveram tranquilamente durante onze anos, tentando inclusive encaminhar a regularização da posse da terra. A partir de 1976, essas famílias pacatas e trabalhadoras começaram a ser molestadas pelo grileiro Leão Diniz de Souza Leão Neto, que se dizia proprietário das terras apresentando documentos fraudados. Nessa época, o já idoso Manoel Dias liderou a organização e a resistência dos posseiros. Mesmo com denúncias e pedidos de providência feitos na época pela Diocese de Barra e pela CPT (Comissão Pastoral da Terra), as autoridades não agiram contra as ameaças do grileiro. No dia 8 de setembro de 1982, o grileiro acompanhado de 30 pistoleiros e com 2 tratores, tomou de assalto Boa Vista do Procópio. “Eles derrubaram as casas, quebraram as roças e soltaram e mataram as criações. Deixou todo mundo desabrigado. Não satisfeito com isso, ele partiu em frente até matar o velho meu pai”. Essas são palavras de Osvaldo, filho de Manoel Dias. Um pai de família morto e três outros feridos, crianças, mulheres e velhos desabrigados. Foi esse o resultado da ação do grileiro que, com arrogância, já propagava sua impunidade, afirmando ter muito dinheiro e influência. Manoel Dias tinha 77 anos quando foi assassinado pela ganância do latifúndio.
JOTA
Josael de Lima - 21/05/1986
Josael, mais conhecido pelo apelido de Jota, nasceu na cidade de Tapiramutá no dia 16/03/1936. Casou-se com Josefa Elze de Jesus. Filho de família humilde, Jota foi funcionário dos correios até sua aposentadoria. Trabalhou também na FUNDIFRAN (Fundação para o Desenvolvimento Integrado do Vale do São Francisco) e no apoio aos sindicatos de trabalhadores rurais, colônias de pescadores e associações, sempre na defesa dos trabalhadores e da reforma agrária. Junto à Diocese de Barra, Jota esteve à frente de vários trabalhos: dos encontros de casais até a CPT (Comissão Pastoral da Terra). Na posse de D. Itamar Vian como bispo diocesano, Jota foi o orador representante dos leigos da Diocese. Jota foi lutador incansável pelos direitos dos mais fracos e pela democracia. Foi um dos fundadores do Movimento Democrático Brasileiro na cidade de Barra no período da ditadura militar. Em 1982 foi candidato a prefeito da cidade. Quando foi assassinado, Jota assessorava uma equipe do INCRA no levantamento de áreas em conflito de terra e organizava manifestações pela reforma agrária. Foi morto com um tiro no peito quando voltava do trabalho, a mando dos grileiros Leão Diniz de Souza Leão Neto e Antônio Henrique de Souza Moreira. “Espero que a morte de meu marido não fique no esquecimento. Ele foi um homem que lutou pela reforma agrária e por isso foi morto. Por essa razão estou aqui para denunciar o descaso das autoridades policiais”. Essas foram as palavras de D. Josefa Elzi ao Jornal A Tarde, 4 anos depois do assassinato de seu marido. Jota tinha 50 anos quando foi morto e deixou seis filhos e dois netos.

LAMARCA MORTO NA BAHIA

LAMARCA MORTO NA BAHIA
http://almanaque.folha.uol.com.br/brasil_19set1971.htm
Publicado na Folha de S.Paulo, domingo, 19 de setembro de 1971
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Carlos Lamarca, considerado o mais perigoso lider terrorista no País, foi morto em tiroteio com as forças de segurança, na pequena localidade de Pintada, interior da Bahia. O encontro decisivo ocorreu há dois dias, mas somente ontem foi feita a identificação oficial do cadaver, mediante confronto com as fichas datiloscopicas.
Com base numa serie de indicios, as autoridades haviam montado no Centro-Oeste baiano ampla manobra de cerco que aos poucos foi se apertando e terminou com a localização de Carlos Lamarca e um companheiro, José Campos Barreto, em Pintada. Eles descansavam sob uma arvore e só viram os agentes de segurança quando estes estavam a 20 metros. Abriram fogo imediatamente, sem atender à ordem de rendição, mas acabaram caindo mortalmente feridos.
Quanto a Iara Yavelberg, companheira de Lamarca, revelaram as autoridades que ela se suicidou em agosto, em seu apartamento de Salvador.
Uma longa perseguição levou a Lamarca

Salvador (Do correspondente) - O ex-capitão Carlos Lamarca, chefe da organização terrorista "Vanguarda Popular Revolucionaria" foi morto no Municipio de Pintada, no Centro-Oeste da Bahia, após sustentar um tiroteio com as forças de segurança a 20 metros de distancia do local onde descansava, sem atender às ordens de rendição.
Pintada fica a 700 km de Salvador, pela BR-242.
O corpo do ex-capitão Carlos Lamarca foi trasladado para Salvador, mas sua identidade só foi oficialmente reconhecida pelas autoridades, com a chegada de sua ficha datiloscopica do Sul do País.
Com Carlos Lamarca, "morreu tambem José Campos Barreto (Zequinha), quando tentava romper o cerco do dispositivo de segurança.
As autoridades de segurança haviam montado uma operação nas zonas rurais da Bahia, especialmente entre Ibitirama, Seabra, Oliveira dos Brejinhos e Barra do Mendes, depois da prisão de um individuo conhecido apenas pelo nome de Rocha, que denunciou a formação de um "aparelho" em Brotas de Macaubas, comandado por José campos Barreto.
No mês de agosto, a ex-companheira de Carlos Lamarca, Iara Yavelberg, suicidou-se em Salvador, no seu apartamento localizado na rua Minas Gerais, 121, Pituba, apos o desbaratamento de um grupo do MR-8, quando foi capturada uma mulher identificada apenas como Solange, já enviada para a Guanabara.
A operação

O encontro das forças de segurança com terroristas registrou-se na Fazenda Buriti, em Brotas de Macaubas, quando houve as primeiras baixas: Otoniel Campos Barreto e Luís Antonio de Santa Barbara foram mortos ao reagir às ordens de prisão, e Aldorico Campos Barreto ficou ferido durante o tiroteio. Ele encontra-se hospitalizado e já fora de perigo no Hospital da Policia Militar. Na fazenda, foram apreendidos cinco revolveres e munição.
A operação já estava encerrada quando as autoridades receberam dois telegramas oriundos de Oliveira dos Brejinhos: dois elementos estranhos à comunidade, armados, ameaçavam a população à procura de alimentação. Os mesmos elementos foram vistos no ultimo dia 10 de setembro procurando um tal primo Zequinha, em Ibitirama. Os suspeitos procuraram tambem um medico, mas não foram atendidos.
Com essas informações em mãos, as autoridades armaram novo esquema para Carnauba Grande, onde os dois suspeitos foram vistos mostrando sinais de cansaço e fome, a caminho de Carnaubinha.
Mas foi em Pintada que os dois foram descobertos. Cerca de 200 metros, os agentes ficaram em silencio e se encaminharam para uma arvore frondosa, onde eles pareciam dormindo ou descansando. Um delles, ao sentir a presença dos agentes, gritou:
"Os homens estão chegando".
A uma distancia de 20 metros, foi iniciado o tiroteio.
Processos e condenações

O ex-capitão Carlos Lamarca, no mesmo dia em que morreu, fôra condenado a mais 4 anos de prisão, com suspensão dos direitos politicos por dez anos, pelo Conselho Permanente da Justiça Militar, em São Paulo. O mesmo tribunal já o condenara a 30 anos de prisão, pelo sequestro de um caminhão do Exercito; e sua fuga do quartel de Quitauna, com armas, fôra punida com outros 24 anos de prisão.
Ele respondia ainda a diversos processos, inclusive os do assassinio do tenente PM Alberto Mendes Junior, em Registro, e do sargento da PE da Guanabara, Elias Santos.
Carlos Lamarca sentou praça no Exercito a 1.o de abril de 1955, e em dezembro de 1960 passara a aspirante a oficial. Foi promovido a 2.o tenente um ano depois; em 1963 era 1.o tenente e no dia 25 de agosto de 1967 chegava a capitão. Seu nome entrou nos noticiarios quando foi designado para treinar em tiro as funcionárias de um banco.
Desertou e foi expulso das fileiras do Exercito a 10 de abril de 1970, por decreto do presidente da republica, com base no AI-5, "por ter cometido atos de natureza desonrosa à dignidade militar".
Ultima sentença: 4 anos

Após oito horas de sessão secreta, anteontem à noite, o Conselho Permanente de Justiça Militar da 1.a Auditoria, em São Paulo, condenou Carlos Lamarca, Tilma Vania Vinhares, Claudio de Sousa Ribeiro e Fernando Mesquita Filho a 4 anos de reclusão, com suspensão dos direitos politicos por 10 anos, pela participação na VAR-Palmares.
João Batista de Sousa foi condenado a 12 anos, com remessa de cópias do processo ao procurador, por haver indicios de outros crimes; Benedito Antonio Ferraz, a 2 anos; Gilberto Martins Vasconcelos, Carlos Galvão Bueno, Ana Maria Gomes da Silva, a um ano de reclusão; Natael Custodio Barbosa, a 6 meses, Paulo Cesar Xavier Ferraz, a 15 meses; José Olavo Leite Ribeiro a 15 meses; Idoian de Sousa Rangel, a um ano; Maria Joana Teles Cubas, a seis meses; Joaquim Venturini Filho, a 18 meses; João Roaro Filho, a um ano; Carlos Saverio Ferrante, a 15 meses; Antonio Francisco Xavier, a 15 meses; Alfredo Nozumo, a 18 meses; Pedro Camargo, a 15 meses; Reinaldo Antonio Carcarolo, a 15 meses; Iara Yavelberg, a 15 meses; José Claudio Teles Cubas, a 2 anos e perda dos direitos politicos por 10 anos; Claudio Galeno de Magalhães Linhares, a 15 meses; Manuel Henrique Ferreira, a 15 meses; e Carmem Lisboa , a 15 meses.
Parlamentares comentam

A proposito da noticia da morte do terrorista Carlos Lamarca, o senhor Eurico Resende, vice-lider da ARENA no Senado, declarou em Brasilia:
"Não se deve, obviamente, manifestar regozijo diante de um fato dessa natureza, embora os terroristas o façam, quando obtêm exitos na covardia de suas violencias".
O senador Eurico Resende, que foi dos primeiros a receber nesta Capital ontem à tarde a confirmação, ainda oficiosa àquela altura, da morte de Lamarca, acrescentou:
"Mas, não se pode negar que o episodio agora verificado oferece uma sensação de alivio na sociedade brasileira. E vale para comprovar, mais uma vez, que o governo está atento e perseverante no combate ao passionalismo predatorio e homicida da subversão, ampliando e consolidando a confiança da opinião, na ação firme e patriotica de nossas autoridades".
Em São Paulo, ao tomar conhecimento da morte de Carlos Lamarca, o deputado Adolfo Oliveira, ex-secretario-geral do MDB e um dos principais articuladores do futuro Partido Democratico Republicano, afirmou que aquele lider terrorista "chegou ao unico fim a que leva o terrorismo", acrescentando que "possivelmente, sua morte tenha assinalado o fim deste tipo de atividade subversiva, que contraria todos os sentimentos, tradições e a propria indole do povo brasileiro".
O ultimo dialogo

Segundo depoimento da equipe que localizou Carlos Lamarca, foi travado o seguinte dialogo antes de o lider terrorista expirar:
Agente federal - "Quem é você?"
Lamarca - "Carlos Lamarca".
Agente Federal - "Você sabe o que aconteceu com a Iara?"
Carlos Lamarca - "Sei. Ela se suicidou em Salvador."
Agente Federal - "Onde estão sua mulher e seus filhos?"
Carlos Lamarca - "Estão em Cuba".
Agente Federal - "Você sabe que é um traidor da Pátria?"
A esta pergunta, Carlos Lamarca procurou fazer um movimento com a cabeça, mas não chegou a responder, expirando em seguida.
Depoimentos

Ainda de acordo com depoimento da propria equipe que localizou Lamarca, foram historiados os seguintes fatos:
"As autoridades federais da Bahia prenderam no dia 6 de agosto ultimo o terrorista de nome "Rocha". Através dele, conseguiram localizar e estourar um aparelho dentro da cidade de Salvador, na rua Minas Gerais, bairro da Pituba. Do estouro desse aparelho, resultaram duas prisões, que culminaram com o suicidio de Iara Yavelberg, amante de Lamarca, que estava naquele "aparelho" e conseguira passar para outro apartamento após pular um muro da area de serviço. Nesse apartamento, ela suicidou-se com um tiro de revolver calibre 38 no coração, dentro do banheiro da empregada. Ainda através do subversivo "Rocha", os orgãos de Segurança conseguiram chegar a um "aparelho" na zona rural na localidade de Brotas de Macaubas. Esse aparelho foi cercado e os terroristas que lá se encontravam sairam da casa atirando. Dois foram mortos e um ficou ferido. Aliás, um dos mortos era irmão do terrorista conhecido por "Zequinha" que morreu agora juntamente com Lamarca. O que ficou ferido também é irmão de "Zequinha".
"As autoridades continuaram vasculhando aquela area numa operação que vinha sendo considerada das mais demoradas uma vez que Lamarca não era encontrado. Muitos agentes federais receberam ordem de retornar as suas bases. Após isso, novos informes deram conta de que havia dois elementos suspeitos armados acuando a população, com ameaças para conseguir, particularmente, alimentos. Nesse interim Carlos Lamarca e "Zequinha" já haviam sido identificados, quatro equipes de agentes deslocaram-se para aquela região, a fim de seguir as pegadas dos dois terroristas, baseando-se em informações de elementos da população local, que muito colaboraram com as autoridades.
"Os dois terroristas, percebendo a perseguição, começaram a se deslocar em demasia para despistar os agentes federais e desacreditar as informações dadas pela população. Numa hora, Lamarca era visto em determinada localidade e noutra hora a 70 km de distancia numa area completamente diferente. Verificados esses informes, foram constatados a sua veracidade e as autoridades passaram a se movimentar em areas mais desertas e em velocidade igual à dos terroristas.
"Anteontem, na localidade de Pintada, chegou uma equipe de agentes, deixando nesse local apenas uma viatura com o motorista. Os outros três elementos da equipe se deslocaram para uma outra localidade chamada Canabrava. No meio do caminho, encontraram outra equipe que vinha de Canabrava, que informou que naquela localidade não havia absolutamente nada. A primeira equipe, então regressou para Pintada. Quando chegava perto da viatura, o motorista fez um sinal de silencio aos seus companheiros apontando dois elementos que descasavam à sombra de uma arvore, aparentemente dormindo. A equipe foi se aproximando deles (dos terroristas), disposta a predê-los, quando um deles, que era o "Zequinha", percebeu a aproximação da equipe a uma distancia de 20 metros e gritou para Lamarca:
"Os homens estão chegando".
"Aí, os dois sacaram as armas. Houve tiroteio e Carlos Lamarca e Zequinha morreram no local.
"Lamarca sabia que Iara tinha se suicidado e antes de morrer confessou ser Carlos Lamarca e que sua verdadeira esposa e dois filhos menores estavam em Cuba."

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Principais pontos turíscos


Principais Pontos Turísticos


O lugar detém lindo paraísos ecológicos, como a paz da caátinga, as correnteza das Caraibas, o canhão dágua do Pé do Morro e o garimpo do Moocó e o garimpo do cafundóa a maior bacia de cristais do Brasil. Um dos passeios mais cogitados entre os visitantes é o ecoturismo, garantido pelas belezas que acompanham as famosas caminhadas e as visitas aos engenhos na fabricação de cachaça.








EVENTOS

Aniversário do Município

Data: 30 de março emancipação política e 16 de julho ( lei provincia de 1878) data de nascimento.

Festa do Divino Espírito Santo "Pentecoste" (40 dias depois do Carnaval).

Fugueira do Bé - Festa Junina

Festa da Padroeira - 08 de setembro.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Projeto de Desenvolvimento Ecológico, Social e Turístico Vale da Revolução. Comunidades de Pé do Morro, Lagoa do Maciel e Buriti Cristalino Brotas

O Vale da Revolução está localizado na Chapada Diamantina, no coração da Bahia, há 18 kuilometros da cidade de Brotas de Macaúbas-Ba.Uma vasta área pitoreca,com um bacia de cristas gigante, muita água e com uma história empolgante de 1971.(Terra onde tombou o Capitão Carlos Lamarca e José Campos Barreto, Zequinha).Terra do Professor Milton Santos, geografo renomado.Se você gosta de trilhas e de natureza este é o lugar ideal para se divertir.Visite as catras dos garimpos do Cafundó (70 metros de profundidade e do Mocoó, 50 anos de perfuração.O Vale é conhecido por Vale de Revolução devido aofato histórico.


LAMARCA MORTO NA BAHIA
http://almanaque.folha.uol.com.br/brasil_19set1971.htm
Publicado na Folha de S.Paulo, domingo, 19 de setembro de 1971
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Carlos Lamarca, considerado o mais perigoso lider terrorista no País, foi morto em tiroteio com as forças de segurança, na pequena localidade de Pintada, interior da Bahia. O encontro decisivo ocorreu há dois dias, mas somente ontem foi feita a identificação oficial do cadaver, mediante confronto com as fichas datiloscopicas.
Com base numa serie de indicios, as autoridades haviam montado no Centro-Oeste baiano ampla manobra de cerco que aos poucos foi se apertando e terminou com a localização de Carlos Lamarca e um companheiro, José Campos Barreto, em Pintada. Eles descansavam sob uma arvore e só viram os agentes de segurança quando estes estavam a 20 metros. Abriram fogo imediatamente, sem atender à ordem de rendição, mas acabaram caindo mortalmente feridos.
Quanto a Iara Yavelberg, companheira de Lamarca, revelaram as autoridades que ela se suicidou em agosto, em seu apartamento de Salvador.
Uma longa perseguição levou a Lamarca

Salvador (Do correspondente) - O ex-capitão Carlos Lamarca, chefe da organização terrorista "Vanguarda Popular Revolucionaria" foi morto no Municipio de Pintada, no Centro-Oeste da Bahia, após sustentar um tiroteio com as forças de segurança a 20 metros de distancia do local onde descansava, sem atender às ordens de rendição.
Pintada fica a 700 km de Salvador, pela BR-242.
O corpo do ex-capitão Carlos Lamarca foi trasladado para Salvador, mas sua identidade só foi oficialmente reconhecida pelas autoridades, com a chegada de sua ficha datiloscopica do Sul do País.
Com Carlos Lamarca, "morreu tambem José Campos Barreto (Zequinha), quando tentava romper o cerco do dispositivo de segurança.
As autoridades de segurança haviam montado uma operação nas zonas rurais da Bahia, especialmente entre Ibitirama, Seabra, Oliveira dos Brejinhos e Barra do Mendes, depois da prisão de um individuo conhecido apenas pelo nome de Rocha, que denunciou a formação de um "aparelho" em Brotas de Macaubas, comandado por José campos Barreto.
No mês de agosto, a ex-companheira de Carlos Lamarca, Iara Yavelberg, suicidou-se em Salvador, no seu apartamento localizado na rua Minas Gerais, 121, Pituba, apos o desbaratamento de um grupo do MR-8, quando foi capturada uma mulher identificada apenas como Solange, já enviada para a Guanabara.
A operação

O encontro das forças de segurança com terroristas registrou-se na Fazenda Buriti, em Brotas de Macaubas, quando houve as primeiras baixas: Otoniel Campos Barreto e Luís Antonio de Santa Barbara foram mortos ao reagir às ordens de prisão, e Aldorico Campos Barreto ficou ferido durante o tiroteio. Ele encontra-se hospitalizado e já fora de perigo no Hospital da Policia Militar. Na fazenda, foram apreendidos cinco revolveres e munição.
A operação já estava encerrada quando as autoridades receberam dois telegramas oriundos de Oliveira dos Brejinhos: dois elementos estranhos à comunidade, armados, ameaçavam a população à procura de alimentação. Os mesmos elementos foram vistos no ultimo dia 10 de setembro procurando um tal primo Zequinha, em Ibitirama. Os suspeitos procuraram tambem um medico, mas não foram atendidos.
Com essas informações em mãos, as autoridades armaram novo esquema para Carnauba Grande, onde os dois suspeitos foram vistos mostrando sinais de cansaço e fome, a caminho de Carnaubinha.
Mas foi em Pintada que os dois foram descobertos. Cerca de 200 metros, os agentes ficaram em silencio e se encaminharam para uma arvore frondosa, onde eles pareciam dormindo ou descansando. Um delles, ao sentir a presença dos agentes, gritou:
"Os homens estão chegando".
A uma distancia de 20 metros, foi iniciado o tiroteio.
Processos e condenações

O ex-capitão Carlos Lamarca, no mesmo dia em que morreu, fôra condenado a mais 4 anos de prisão, com suspensão dos direitos politicos por dez anos, pelo Conselho Permanente da Justiça Militar, em São Paulo. O mesmo tribunal já o condenara a 30 anos de prisão, pelo sequestro de um caminhão do Exercito; e sua fuga do quartel de Quitauna, com armas, fôra punida com outros 24 anos de prisão.
Ele respondia ainda a diversos processos, inclusive os do assassinio do tenente PM Alberto Mendes Junior, em Registro, e do sargento da PE da Guanabara, Elias Santos.
Carlos Lamarca sentou praça no Exercito a 1.o de abril de 1955, e em dezembro de 1960 passara a aspirante a oficial. Foi promovido a 2.o tenente um ano depois; em 1963 era 1.o tenente e no dia 25 de agosto de 1967 chegava a capitão. Seu nome entrou nos noticiarios quando foi designado para treinar em tiro as funcionárias de um banco.
Desertou e foi expulso das fileiras do Exercito a 10 de abril de 1970, por decreto do presidente da republica, com base no AI-5, "por ter cometido atos de natureza desonrosa à dignidade militar".
Ultima sentença: 4 anos

Após oito horas de sessão secreta, anteontem à noite, o Conselho Permanente de Justiça Militar da 1.a Auditoria, em São Paulo, condenou Carlos Lamarca, Tilma Vania Vinhares, Claudio de Sousa Ribeiro e Fernando Mesquita Filho a 4 anos de reclusão, com suspensão dos direitos politicos por 10 anos, pela participação na VAR-Palmares.
João Batista de Sousa foi condenado a 12 anos, com remessa de cópias do processo ao procurador, por haver indicios de outros crimes; Benedito Antonio Ferraz, a 2 anos; Gilberto Martins Vasconcelos, Carlos Galvão Bueno, Ana Maria Gomes da Silva, a um ano de reclusão; Natael Custodio Barbosa, a 6 meses, Paulo Cesar Xavier Ferraz, a 15 meses; José Olavo Leite Ribeiro a 15 meses; Idoian de Sousa Rangel, a um ano; Maria Joana Teles Cubas, a seis meses; Joaquim Venturini Filho, a 18 meses; João Roaro Filho, a um ano; Carlos Saverio Ferrante, a 15 meses; Antonio Francisco Xavier, a 15 meses; Alfredo Nozumo, a 18 meses; Pedro Camargo, a 15 meses; Reinaldo Antonio Carcarolo, a 15 meses; Iara Yavelberg, a 15 meses; José Claudio Teles Cubas, a 2 anos e perda dos direitos politicos por 10 anos; Claudio Galeno de Magalhães Linhares, a 15 meses; Manuel Henrique Ferreira, a 15 meses; e Carmem Lisboa , a 15 meses.
Parlamentares comentam

A proposito da noticia da morte do terrorista Carlos Lamarca, o senhor Eurico Resende, vice-lider da ARENA no Senado, declarou em Brasilia:
"Não se deve, obviamente, manifestar regozijo diante de um fato dessa natureza, embora os terroristas o façam, quando obtêm exitos na covardia de suas violencias".
O senador Eurico Resende, que foi dos primeiros a receber nesta Capital ontem à tarde a confirmação, ainda oficiosa àquela altura, da morte de Lamarca, acrescentou:
"Mas, não se pode negar que o episodio agora verificado oferece uma sensação de alivio na sociedade brasileira. E vale para comprovar, mais uma vez, que o governo está atento e perseverante no combate ao passionalismo predatorio e homicida da subversão, ampliando e consolidando a confiança da opinião, na ação firme e patriotica de nossas autoridades".
Em São Paulo, ao tomar conhecimento da morte de Carlos Lamarca, o deputado Adolfo Oliveira, ex-secretario-geral do MDB e um dos principais articuladores do futuro Partido Democratico Republicano, afirmou que aquele lider terrorista "chegou ao unico fim a que leva o terrorismo", acrescentando que "possivelmente, sua morte tenha assinalado o fim deste tipo de atividade subversiva, que contraria todos os sentimentos, tradições e a propria indole do povo brasileiro".
O ultimo dialogo

Segundo depoimento da equipe que localizou Carlos Lamarca, foi travado o seguinte dialogo antes de o lider terrorista expirar:
Agente federal - "Quem é você?"
Lamarca - "Carlos Lamarca".
Agente Federal - "Você sabe o que aconteceu com a Iara?"
Carlos Lamarca - "Sei. Ela se suicidou em Salvador."
Agente Federal - "Onde estão sua mulher e seus filhos?"
Carlos Lamarca - "Estão em Cuba".
Agente Federal - "Você sabe que é um traidor da Pátria?"
A esta pergunta, Carlos Lamarca procurou fazer um movimento com a cabeça, mas não chegou a responder, expirando em seguida.
Depoimentos

Ainda de acordo com depoimento da propria equipe que localizou Lamarca, foram historiados os seguintes fatos:
"As autoridades federais da Bahia prenderam no dia 6 de agosto ultimo o terrorista de nome "Rocha". Através dele, conseguiram localizar e estourar um aparelho dentro da cidade de Salvador, na rua Minas Gerais, bairro da Pituba. Do estouro desse aparelho, resultaram duas prisões, que culminaram com o suicidio de Iara Yavelberg, amante de Lamarca, que estava naquele "aparelho" e conseguira passar para outro apartamento após pular um muro da area de serviço. Nesse apartamento, ela suicidou-se com um tiro de revolver calibre 38 no coração, dentro do banheiro da empregada. Ainda através do subversivo "Rocha", os orgãos de Segurança conseguiram chegar a um "aparelho" na zona rural na localidade de Brotas de Macaubas. Esse aparelho foi cercado e os terroristas que lá se encontravam sairam da casa atirando. Dois foram mortos e um ficou ferido. Aliás, um dos mortos era irmão do terrorista conhecido por "Zequinha" que morreu agora juntamente com Lamarca. O que ficou ferido também é irmão de "Zequinha".
"As autoridades continuaram vasculhando aquela area numa operação que vinha sendo considerada das mais demoradas uma vez que Lamarca não era encontrado. Muitos agentes federais receberam ordem de retornar as suas bases. Após isso, novos informes deram conta de que havia dois elementos suspeitos armados acuando a população, com ameaças para conseguir, particularmente, alimentos. Nesse interim Carlos Lamarca e "Zequinha" já haviam sido identificados, quatro equipes de agentes deslocaram-se para aquela região, a fim de seguir as pegadas dos dois terroristas, baseando-se em informações de elementos da população local, que muito colaboraram com as autoridades.
"Os dois terroristas, percebendo a perseguição, começaram a se deslocar em demasia para despistar os agentes federais e desacreditar as informações dadas pela população. Numa hora, Lamarca era visto em determinada localidade e noutra hora a 70 km de distancia numa area completamente diferente. Verificados esses informes, foram constatados a sua veracidade e as autoridades passaram a se movimentar em areas mais desertas e em velocidade igual à dos terroristas.
"Anteontem, na localidade de Pintada, chegou uma equipe de agentes, deixando nesse local apenas uma viatura com o motorista. Os outros três elementos da equipe se deslocaram para uma outra localidade chamada Canabrava. No meio do caminho, encontraram outra equipe que vinha de Canabrava, que informou que naquela localidade não havia absolutamente nada. A primeira equipe, então regressou para Pintada. Quando chegava perto da viatura, o motorista fez um sinal de silencio aos seus companheiros apontando dois elementos que descasavam à sombra de uma arvore, aparentemente dormindo. A equipe foi se aproximando deles (dos terroristas), disposta a predê-los, quando um deles, que era o "Zequinha", percebeu a aproximação da equipe a uma distancia de 20 metros e gritou para Lamarca:
"Os homens estão chegando".
"Aí, os dois sacaram as armas. Houve tiroteio e Carlos Lamarca e Zequinha morreram no local.
"Lamarca sabia que Iara tinha se suicidado e antes de morrer confessou ser Carlos Lamarca e que sua verdadeira esposa e dois filhos menores estavam em Cuba."